quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O marginal

Foi dentro de um vagão de trem cheio
que eu me senti
a pessoa mais vazia, mal me movimentava 
e sentia a falta de uma companhia.

Ao meu redor todos estavam conectados
aos tablets, smartphones, fones de ouvido
ipod.
Ao mundo irreal conhecido como virtual
porque hoje é la que as pessoas guardam os
seu amigos.

Estação da sé a campainha tocou,
a porta se abriu, da maneira que
eu entrei a forma que sai, ninguém notou,
mas fui carregado por um monte de corpos vazios.

Vazio. 
O povo esgotado 8 horas de trabalho
4 horas dentro da sala de aula trancado
e o único momento descanso é em pé dentro
de um transporte coletivo lotado.

Pessoas vão e vem, o que um dia
chamaram de navio negreiro  
hoje em dia anda sobre trilhos
e chamamos de trem.

Somos escravos, recebemos ordens 
a todo momento.
produza, faça trabalhos, realize provas
pesquise, passe no vestibular, arrume um emprego
porque para o sistema são esses os princípios que dignificam 
a vida
E a carteira de trabalho e a nossa carta de alforria.

Na televisão nos jornais deram letras e nos dividem
em classes sociais. Mas essa balela não
me engana não, dizer que o individuo
que anda de carro do ano, usa iphone, mora
no jardins é o ser humano em ascensão?

Falou, eu estou tranquilo, agora
prossigo dentro de um novo vagão
rodeado por amigos. Conectados
pela poesia, pela musica, pela arte, pelas
necessidades de cada coração que bate.

Prosseguindo na contra mão sou marginalizado
pelo sistema, mas aí qual o problema?
Quero deixar bem claro que dentro dos meus braços
cabem todos os seus abraços
e apenas com essa coisa de "touch screen" eu não me satisfaço.

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